23 de junho de 2022 em Juventude

Professora da Rede Cuca é a primeira bailarina trans condecorada embaixadora do Fendafor 2022

Com uma trajetória de conquistas, Ana Dulce Ribeiro apresenta-se na abertura do Festival nesta quinta-feira (23/06), no Theatro José de Alencar


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Além de professora e agora embaixadora, Dulce é coreógrafa e bailarina nas modalidades clássica, contemporânea e jazz

A professora de dança da Rede Cuca, Ana Dulce Ribeiro, 31 anos, tornou-se a primeira mulher transgênero embaixadora do Festival Internacional de Dança de Fortaleza (Fendafor), na edição deste ano, que acontece de 23 de junho a 03 de julho, no Theatro José de Alencar. Além de professora e agora embaixadora, Dulce é coreógrafa e bailarina nas modalidades clássica, contemporânea e jazz. Uma de suas participações na programação do festival será nesta quinta-feira (23/06), durante a abertura do evento.

Para Ana Dulce, estar no Fendafor como embaixadora é uma grande realização. “Uma mulher trans ser embaixadora e representar uma marca tão importante como a Fendafor é uma felicidade imensa. Eu participo da Fendafor desde 2008, há 12 anos, e sempre admirei muito o trabalho deles porque é um festival que traz vários tipos de emoções e experiências”, destaca.

Conheça a trajetória de Ana Dulce Ribeiro

Desde criança, Ana Dulce se interessava pela dança. Com um sorriso no rosto, ela relembra de quando assistia TV e se imaginava como uma bailarina do “Domingão do Faustão”. Programas de TV, vídeos e filmes foram as inspirações que alimentaram o sonho de ser uma bailarina clássica.

Aos 14 anos, junto com algumas amigas, ela procurou um projeto social perto de casa que oferecia aulas de dança, em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza. Inicialmente, Dulce não conseguiu fazer a inscrição, mas pediu uma oportunidade ao professor e conseguiu iniciar o curso. Pouco mais de um ano se passou e Dulce ganhou uma bolsa de estudos na Escola Ballet Goretti Quintela, em Fortaleza, onde estudou por três anos. Em seguida, mudou para a Escola Janne Ruth, onde formou-se em ballet clássico e jazz e faz parte da companhia até hoje.

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Com uma trajetória promissora, Dulce espera que a sua história seja um exemplo para encorajar outras pessoas trans

A dança como alicerce

A família da bailarina não via um futuro promissor na escolha de enveredar pela dança. Aos 18 anos, em busca de ter mais independência financeira, Dulce começou a dar aulas em pequenas escolas e, a partir dessas experiências, percebeu que herdou da mãe o dom de lecionar. “Geralmente, as famílias não apoiam tanto porque acham que quem é artista é ‘vagabundo’, que não vai dar dinheiro, que é difícil sobreviver de arte e é mesmo! Então, no começo foi bem difícil, minha mãe meio que não aceitava, a recepção em relação à dança não foi fácil, mas acabou que teve que aceitar porque era algo mais forte”, relembra.

A dança permeia boa parte da vida de Dulce. O processo de aprendizagem caminhou junto com o momento de se entender uma mulher trans e a dança foi uma ferramenta importante para seguir em frente. “Se não fosse a dança eu não sei se teria tal controle emocional para poder segurar todas as dificuldades que passei praticamente sozinha. A dança foi uma válvula de escape para todos os meus problemas”.

Mesmo com as adversidades, Ana Dulce Ribeiro vem conquistando seu espaço. Dentre as diversas experiências durante sua carreira, a jovem participou de um intercâmbio na Escola de Gala Ballet Studio em Ballet Clássico, no Uruguai, sob a direção e orientação de Marlene Lagos, que foi primeira bailarina no Ballet del Sodre de Montevideo, nas modalidades de contemporâneo e jazz.

Hoje, Dulce também atua como professora de dança da Rede Cuca, política pública da Prefeitura de Fortaleza executada por meio da Secretaria da Juventude de Fortaleza, e diz que sempre admirou o trabalho realizado pela instituição. “O primeiro contato que eu tive com a Rede Cuca foi através de apresentações e competições. Eu fui uma das primeiras pessoas a dançar no teatro do Cuca Barra. Conheci o equipamento e todas as coisas que ele proporciona para os jovens. Queria eu ter tido a oportunidade de ter a Rede Cuca na minha vida quando eu comecei. Eu sempre admirei muito o trabalho do Cuca e em 2020 fui selecionada para trabalhar aqui”, conta.

Além de ser uma das primeiras mulheres trans bailarina, coreógrafa, jurada, professora e participante de diversas competições nacionais e internacionais, neste ano, ela se tornou a primeira bailarina trans do nordeste contemplada como “melhor bailarina 2022” pelo Festival Internacional do Conselho Brasileiro da Dança (CBDD).

Olhando para sua trajetória, Ana Dulce espera que a sua história seja um exemplo para encorajar outras pessoas transgêneros. “Eu espero que com essa minha iniciativa na arte, eu possa mostrar para outras meninas, meninos, pessoas trans que é possível. Meu conselho é que acreditem nos seus sonhos, não desista. Nós pessoas trans podem ocupar o lugar que a gente quiser”, pontua Dulce.

Rede Cuca no Festival

Além de Ana Dulce, a Rede Cuca contará com a participação de 35 jovens alunos e integrantes dos grupos de dança do programa Comunidade em Pauta nos cursos e oficinas do Festival.

Serviço
Festival Internacional de Dança de Fortaleza (Fendafor 2022)
Período: de 23 de junho a 03 de julho
Local: Theatro José de Alencar

Professora da Rede Cuca é a primeira bailarina trans condecorada embaixadora do Fendafor 2022

Com uma trajetória de conquistas, Ana Dulce Ribeiro apresenta-se na abertura do Festival nesta quinta-feira (23/06), no Theatro José de Alencar

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Além de professora e agora embaixadora, Dulce é coreógrafa e bailarina nas modalidades clássica, contemporânea e jazz

A professora de dança da Rede Cuca, Ana Dulce Ribeiro, 31 anos, tornou-se a primeira mulher transgênero embaixadora do Festival Internacional de Dança de Fortaleza (Fendafor), na edição deste ano, que acontece de 23 de junho a 03 de julho, no Theatro José de Alencar. Além de professora e agora embaixadora, Dulce é coreógrafa e bailarina nas modalidades clássica, contemporânea e jazz. Uma de suas participações na programação do festival será nesta quinta-feira (23/06), durante a abertura do evento.

Para Ana Dulce, estar no Fendafor como embaixadora é uma grande realização. “Uma mulher trans ser embaixadora e representar uma marca tão importante como a Fendafor é uma felicidade imensa. Eu participo da Fendafor desde 2008, há 12 anos, e sempre admirei muito o trabalho deles porque é um festival que traz vários tipos de emoções e experiências”, destaca.

Conheça a trajetória de Ana Dulce Ribeiro

Desde criança, Ana Dulce se interessava pela dança. Com um sorriso no rosto, ela relembra de quando assistia TV e se imaginava como uma bailarina do “Domingão do Faustão”. Programas de TV, vídeos e filmes foram as inspirações que alimentaram o sonho de ser uma bailarina clássica.

Aos 14 anos, junto com algumas amigas, ela procurou um projeto social perto de casa que oferecia aulas de dança, em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza. Inicialmente, Dulce não conseguiu fazer a inscrição, mas pediu uma oportunidade ao professor e conseguiu iniciar o curso. Pouco mais de um ano se passou e Dulce ganhou uma bolsa de estudos na Escola Ballet Goretti Quintela, em Fortaleza, onde estudou por três anos. Em seguida, mudou para a Escola Janne Ruth, onde formou-se em ballet clássico e jazz e faz parte da companhia até hoje.

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Com uma trajetória promissora, Dulce espera que a sua história seja um exemplo para encorajar outras pessoas trans

A dança como alicerce

A família da bailarina não via um futuro promissor na escolha de enveredar pela dança. Aos 18 anos, em busca de ter mais independência financeira, Dulce começou a dar aulas em pequenas escolas e, a partir dessas experiências, percebeu que herdou da mãe o dom de lecionar. “Geralmente, as famílias não apoiam tanto porque acham que quem é artista é ‘vagabundo’, que não vai dar dinheiro, que é difícil sobreviver de arte e é mesmo! Então, no começo foi bem difícil, minha mãe meio que não aceitava, a recepção em relação à dança não foi fácil, mas acabou que teve que aceitar porque era algo mais forte”, relembra.

A dança permeia boa parte da vida de Dulce. O processo de aprendizagem caminhou junto com o momento de se entender uma mulher trans e a dança foi uma ferramenta importante para seguir em frente. “Se não fosse a dança eu não sei se teria tal controle emocional para poder segurar todas as dificuldades que passei praticamente sozinha. A dança foi uma válvula de escape para todos os meus problemas”.

Mesmo com as adversidades, Ana Dulce Ribeiro vem conquistando seu espaço. Dentre as diversas experiências durante sua carreira, a jovem participou de um intercâmbio na Escola de Gala Ballet Studio em Ballet Clássico, no Uruguai, sob a direção e orientação de Marlene Lagos, que foi primeira bailarina no Ballet del Sodre de Montevideo, nas modalidades de contemporâneo e jazz.

Hoje, Dulce também atua como professora de dança da Rede Cuca, política pública da Prefeitura de Fortaleza executada por meio da Secretaria da Juventude de Fortaleza, e diz que sempre admirou o trabalho realizado pela instituição. “O primeiro contato que eu tive com a Rede Cuca foi através de apresentações e competições. Eu fui uma das primeiras pessoas a dançar no teatro do Cuca Barra. Conheci o equipamento e todas as coisas que ele proporciona para os jovens. Queria eu ter tido a oportunidade de ter a Rede Cuca na minha vida quando eu comecei. Eu sempre admirei muito o trabalho do Cuca e em 2020 fui selecionada para trabalhar aqui”, conta.

Além de ser uma das primeiras mulheres trans bailarina, coreógrafa, jurada, professora e participante de diversas competições nacionais e internacionais, neste ano, ela se tornou a primeira bailarina trans do nordeste contemplada como “melhor bailarina 2022” pelo Festival Internacional do Conselho Brasileiro da Dança (CBDD).

Olhando para sua trajetória, Ana Dulce espera que a sua história seja um exemplo para encorajar outras pessoas transgêneros. “Eu espero que com essa minha iniciativa na arte, eu possa mostrar para outras meninas, meninos, pessoas trans que é possível. Meu conselho é que acreditem nos seus sonhos, não desista. Nós pessoas trans podem ocupar o lugar que a gente quiser”, pontua Dulce.

Rede Cuca no Festival

Além de Ana Dulce, a Rede Cuca contará com a participação de 35 jovens alunos e integrantes dos grupos de dança do programa Comunidade em Pauta nos cursos e oficinas do Festival.

Serviço
Festival Internacional de Dança de Fortaleza (Fendafor 2022)
Período: de 23 de junho a 03 de julho
Local: Theatro José de Alencar