02 de Fevereiro de 2026 em Cultura IMPRIMIR

Resultado final da primeira etapa do 77° Salão de Abril destaca ampliação da diversidade artística; confira a lista de inscrições válidas

Após fase de recursos, foram registradas 381 obras válidas, sendo 98 de artistas inéditos na mostra; diversidade racial e de gênero é um dos marcos desta edição


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A Casa do Barão de Camocim, equipamento da Secretaria da Cultura de Fortaleza (Secultfor), gerido em parceria com o Instituto Cultural Iracema (ICI), divulga, nesta segunda-feira (02/02), o resultado final da primeira etapa do edital da 77ª edição do Salão de Abril. As pessoas candidatas que interpuseram recursos devem consultar o e-mail informado na inscrição para acessar a resposta da equipe do evento.

Análise documental - Resultado após recursos

Nesta edição, o Salão de Abril se destaca pela ampliação do acesso ao edital. Ao todo, após a fase dos recursos, foram registradas 381 inscrições de obras válidas, sendo 98 de artistas que nunca haviam participado da seleção. O perfil das pessoas proponentes revela diversidade racial e de gênero, com inscrições de pessoas negras – pretas e pardas (185) e indígenas (22), além da participação de pessoas não binárias, trans e travestis (66).

As inscrições contemplam diferentes linguagens das artes visuais, com destaque para instalação (85) e pintura (81), seguidas por fotografia (52) e escultura (37). Também foram inscritas obras nas linguagens têxtil (28), videoarte (27), performance (21), desenho (21), colagem (17) e gravura (12).

A participação também abrange diferentes faixas etárias, com destaque para artistas entre 30 e 39 anos (141 inscrições) e entre 25 e 29 anos (100), além da presença de jovens de 18 a 24 anos (51) e de pessoas com 60 anos ou mais (13). Quanto à origem, a maioria das inscrições é de artistas do Ceará (318), seguida dos estados Bahia (21), Pernambuco (9), Rio Grande do Norte (9) e Paraíba (8).

Além de três obras do homenageado desta edição, o arquiteto e urbanista Campelo Costa (1939-2022), a curadoria do Salão selecionará, ao fim do processo, 38 trabalhos em dez categorias: performance, instalação, escultura, colagem, desenho, gravura, videoarte, fotografia, pintura e têxtil. A curadoria desta edição será assinada pelas artistas e pesquisadoras Gislana Vale, Melissa Alves, Eliana Amorim e Ana Lira.

Próxima etapa

A próxima fase da seleção do 77º Salão de Abril será dedicada à análise artística das obras. O processo curatorial ocorre de 3 a 20 de fevereiro. O resultado preliminar será divulgado no dia 23 de fevereiro. O período para interposição de recursos ocorre de 24 a 26 de fevereiro. Já o resultado final, após a análise dos recursos, será publicado em 3 de março.

Questão mobilizadora

Nesta edição, a curadoria convida artistas a refletirem sobre a questão mobilizadora “Acessibilidade Estética e Poética”. A proposta parte de uma experiência que ativa as sensorialidades e possibilita fruição, vivência e imersão tanto de pessoas com deficiência quanto do público em geral, na perspectiva de acessar e compartilhar as subjetividades das obras artísticas. Para isso, é concebida em diálogo com pessoas Def, ultrapassando e atualizando a ideia de acessibilidade como mero recurso técnico, afirmando-se como mais uma camada artística da experiência.

Avanços

A nova edição traz mudanças que respondem a demandas antigas da classe artística, como o aumento do cachê de R$ 5 mil para R$ 6 mil, a adoção de política afirmativa para promoção da equidade, a otimização das etapas de seleção e a ampliação do tempo dedicado à análise artística das obras inscritas.

Outra atualização importante é a possibilidade de a pessoa artista optar pela contratação como pessoa física. As mudanças no processo de seleção foram definidas após consulta pública realizada entre 2 e 16 de dezembro de 2025.
Caso o contrato seja como pessoa física, serão descontados os impostos obrigatórios, o que altera o valor final do pagamento. Todas as informações detalhadas serão explicadas antes da fase de entrega da documentação.

Política afirmativa

Com o propósito de reduzir desigualdades históricas e combater processos de exclusão e discriminação que afetam diversos grupos sociais, a Secultfor e o ICI adotaram um conjunto de medidas voltadas à reparação e à promoção da equidade.

Neste contexto, o edital do 77° Salão de Abril prevê a reserva de vagas para pessoas com deficiência (20%), pessoas autodeclaradas pardas e pretas (20%), indígenas (10%), quilombolas (5%), travestis, transexuais, transgêneros e pessoas não bináries (5%), reafirmando compromisso da gestão com a diversidade e a inclusão.

Construção coletiva

A construção do edital contou com a participação ativa da comunidade artística. Foi realizada uma consulta pública para o envio de contribuições e, posteriormente, uma escuta pública presencial no dia 16 de dezembro, no Centro Cultural Casa do Barão de Camocim, sede do Salão de Abril.

O homenageado

Pernambucano radicado no Ceará, Antonio Carlos Campelo Costa (1939-2022) é conhecido por incursões nas diversas linguagens artísticas. O arquiteto e urbanista destacou-se ao coordenar obras em Fortaleza e em outras regiões do país, bem como projetos de requalificação urbana em sítios históricos tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O também artista plástico estreou no Salão de Abril há 60 anos, como “a grande revelação do XVI Salão”, como destaca a edição de 7 de maio de 1966 do jornal O POVO. “Desenhista dedicado ao trabalho profissional de perspectivas arquitetônicas, domina com facilidade surpreendente o desenho da figura humana que, em suas magníficas contribuições, nada tem a ver com as costumeiras figurinhas estereotipadas das ilustrações comerciais”, elogia a publicação.

Após obter em três anos seguidos o primeiro prêmio na categoria Desenho do Salão (1966, 1967 e 1968), Campelo Costa foi convidado a expor a sua primeira individual no Ideal Clube, à época um dos locais mais prestigiados de exposições da cidade, com sucesso de crítica.

Sobre o Salão de Abril

Atualmente, o Salão de Abril é realizado pelo Centro Cultural Casa do Barão de Camocim, equipamento da Prefeitura de Fortaleza vinculado à Secretaria Municipal da Cultura (Secultfor) e gerido em parceria com o Instituto Cultural Iracema (ICI). Com 82 anos de existência e 76 edições realizadas, a mostra se firmou como uma das mais tradicionais e antigas exposições de artes visuais da América Latina. O Salão nasceu em 1943 por iniciativa da Secretaria de Cultura da União Estadual dos Estudantes em parceria com artistas da cena local.

Resultado final da primeira etapa do 77° Salão de Abril destaca ampliação da diversidade artística; confira a lista de inscrições válidas

Após fase de recursos, foram registradas 381 obras válidas, sendo 98 de artistas inéditos na mostra; diversidade racial e de gênero é um dos marcos desta edição

A Casa do Barão de Camocim, equipamento da Secretaria da Cultura de Fortaleza (Secultfor), gerido em parceria com o Instituto Cultural Iracema (ICI), divulga, nesta segunda-feira (02/02), o resultado final da primeira etapa do edital da 77ª edição do Salão de Abril. As pessoas candidatas que interpuseram recursos devem consultar o e-mail informado na inscrição para acessar a resposta da equipe do evento.

Análise documental - Resultado após recursos

Nesta edição, o Salão de Abril se destaca pela ampliação do acesso ao edital. Ao todo, após a fase dos recursos, foram registradas 381 inscrições de obras válidas, sendo 98 de artistas que nunca haviam participado da seleção. O perfil das pessoas proponentes revela diversidade racial e de gênero, com inscrições de pessoas negras – pretas e pardas (185) e indígenas (22), além da participação de pessoas não binárias, trans e travestis (66).

As inscrições contemplam diferentes linguagens das artes visuais, com destaque para instalação (85) e pintura (81), seguidas por fotografia (52) e escultura (37). Também foram inscritas obras nas linguagens têxtil (28), videoarte (27), performance (21), desenho (21), colagem (17) e gravura (12).

A participação também abrange diferentes faixas etárias, com destaque para artistas entre 30 e 39 anos (141 inscrições) e entre 25 e 29 anos (100), além da presença de jovens de 18 a 24 anos (51) e de pessoas com 60 anos ou mais (13). Quanto à origem, a maioria das inscrições é de artistas do Ceará (318), seguida dos estados Bahia (21), Pernambuco (9), Rio Grande do Norte (9) e Paraíba (8).

Além de três obras do homenageado desta edição, o arquiteto e urbanista Campelo Costa (1939-2022), a curadoria do Salão selecionará, ao fim do processo, 38 trabalhos em dez categorias: performance, instalação, escultura, colagem, desenho, gravura, videoarte, fotografia, pintura e têxtil. A curadoria desta edição será assinada pelas artistas e pesquisadoras Gislana Vale, Melissa Alves, Eliana Amorim e Ana Lira.

Próxima etapa

A próxima fase da seleção do 77º Salão de Abril será dedicada à análise artística das obras. O processo curatorial ocorre de 3 a 20 de fevereiro. O resultado preliminar será divulgado no dia 23 de fevereiro. O período para interposição de recursos ocorre de 24 a 26 de fevereiro. Já o resultado final, após a análise dos recursos, será publicado em 3 de março.

Questão mobilizadora

Nesta edição, a curadoria convida artistas a refletirem sobre a questão mobilizadora “Acessibilidade Estética e Poética”. A proposta parte de uma experiência que ativa as sensorialidades e possibilita fruição, vivência e imersão tanto de pessoas com deficiência quanto do público em geral, na perspectiva de acessar e compartilhar as subjetividades das obras artísticas. Para isso, é concebida em diálogo com pessoas Def, ultrapassando e atualizando a ideia de acessibilidade como mero recurso técnico, afirmando-se como mais uma camada artística da experiência.

Avanços

A nova edição traz mudanças que respondem a demandas antigas da classe artística, como o aumento do cachê de R$ 5 mil para R$ 6 mil, a adoção de política afirmativa para promoção da equidade, a otimização das etapas de seleção e a ampliação do tempo dedicado à análise artística das obras inscritas.

Outra atualização importante é a possibilidade de a pessoa artista optar pela contratação como pessoa física. As mudanças no processo de seleção foram definidas após consulta pública realizada entre 2 e 16 de dezembro de 2025.
Caso o contrato seja como pessoa física, serão descontados os impostos obrigatórios, o que altera o valor final do pagamento. Todas as informações detalhadas serão explicadas antes da fase de entrega da documentação.

Política afirmativa

Com o propósito de reduzir desigualdades históricas e combater processos de exclusão e discriminação que afetam diversos grupos sociais, a Secultfor e o ICI adotaram um conjunto de medidas voltadas à reparação e à promoção da equidade.

Neste contexto, o edital do 77° Salão de Abril prevê a reserva de vagas para pessoas com deficiência (20%), pessoas autodeclaradas pardas e pretas (20%), indígenas (10%), quilombolas (5%), travestis, transexuais, transgêneros e pessoas não bináries (5%), reafirmando compromisso da gestão com a diversidade e a inclusão.

Construção coletiva

A construção do edital contou com a participação ativa da comunidade artística. Foi realizada uma consulta pública para o envio de contribuições e, posteriormente, uma escuta pública presencial no dia 16 de dezembro, no Centro Cultural Casa do Barão de Camocim, sede do Salão de Abril.

O homenageado

Pernambucano radicado no Ceará, Antonio Carlos Campelo Costa (1939-2022) é conhecido por incursões nas diversas linguagens artísticas. O arquiteto e urbanista destacou-se ao coordenar obras em Fortaleza e em outras regiões do país, bem como projetos de requalificação urbana em sítios históricos tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O também artista plástico estreou no Salão de Abril há 60 anos, como “a grande revelação do XVI Salão”, como destaca a edição de 7 de maio de 1966 do jornal O POVO. “Desenhista dedicado ao trabalho profissional de perspectivas arquitetônicas, domina com facilidade surpreendente o desenho da figura humana que, em suas magníficas contribuições, nada tem a ver com as costumeiras figurinhas estereotipadas das ilustrações comerciais”, elogia a publicação.

Após obter em três anos seguidos o primeiro prêmio na categoria Desenho do Salão (1966, 1967 e 1968), Campelo Costa foi convidado a expor a sua primeira individual no Ideal Clube, à época um dos locais mais prestigiados de exposições da cidade, com sucesso de crítica.

Sobre o Salão de Abril

Atualmente, o Salão de Abril é realizado pelo Centro Cultural Casa do Barão de Camocim, equipamento da Prefeitura de Fortaleza vinculado à Secretaria Municipal da Cultura (Secultfor) e gerido em parceria com o Instituto Cultural Iracema (ICI). Com 82 anos de existência e 76 edições realizadas, a mostra se firmou como uma das mais tradicionais e antigas exposições de artes visuais da América Latina. O Salão nasceu em 1943 por iniciativa da Secretaria de Cultura da União Estadual dos Estudantes em parceria com artistas da cena local.