
No segundo sábado do Pré-Carnaval de Fortaleza, (24/01), a folia tomou conta da Praia de Iracema. A programação teve início ainda no meio da tarde, com o tradicional cortejo de blocos e baterias de samba, que levou ritmo e animação pela Avenida Beira-Mar, do cruzamento com a Avenida Rui Barbosa até o Aterrinho da Praia de Iracema.
A secretária da Cultura de Fortaleza (SecultFor), Helena Barbosa, destacou que o Ciclo Carnavalesco deste ano é especial, pois, além de abrir oficialmente as comemorações dos 300 anos da Capital, consolida a política de descentralização dos eventos culturais, com programação em 25 polos distribuídos por todas as regionais da cidade.
“Este ano, eu resolvi visitar mais de perto os blocos, porque é um momento em que a gente passa pelos bairros e vê a galera fazendo esse movimento na própria rua. Um exemplo muito bacana são os ambulantes. Eles já me reconhecem, agradecem, dizem: ‘obrigado por ter colocado o polo aqui, estou vendendo muito mais’. Isso é muito significativo, porque a classe trabalhadora passa a entender o real efeito econômico do Carnaval na vida do cidadão de Fortaleza”, afirmou.
“Os 300 anos estão sendo pensados a partir de um comitê. Cada pasta do secretariado do prefeito Evandro vai apresentar o que será entregue para essa grande celebração. O Carnaval, com certeza, é uma dessas entregas”, completou.
Na Praia de Iracema, desfilaram neste fim de semana, em ordem, as baterias Sambamor, Cameleões do Vila, Unidos da Cachorra, Baqueta e Bonde Batuque. O mestre da Cameleões do Vila, Leandro Marechal, comentou sobre a preparação do grupo e a animação de retornar aos desfiles, especialmente no ano do tricentenário da cidade.

“O trabalho está aí na avenida. Todos os ritmistas entenderam a filosofia. Do ano passado para cá, a gente aumentou a bateria em torno de 30% a 40%. Hoje, estamos vindo com 160 ritmistas. Isso mostra que a cidade está abraçando as baterias e que muita gente quer aprender e participar”, destacou.
“Os 300 anos de Fortaleza são uma honra para a gente, é um marco. Para nós, da Cabô do Naco, é muito especial estar fazendo parte dessa celebração da cidade. Fortaleza evoluiu bastante no pré-Carnaval e no Carnaval. A estrutura está melhorando, a festa está crescendo, e isso deixa a gente muito feliz”, concluiu Leandro.
A ritmista Lívia Gadelha, que toca repique na Cameleões, também comentou sobre a preparação ao longo do ano e o sentimento após o desfile.
“Foi uma preparação bem rigorosa, bem intensa. A gente trabalhou bastante este ano, tentou ao máximo se dedicar, estar todo mundo junto. E está sendo maravilhoso. Me sinto eletrizada. Isso aqui está bom demais. É incrível estar aqui e fazer parte da Cameleões.”
Acompanhando os cortejos, estava a família de Maria Júlia, de 17 anos. Todos foram fantasiados: ela de Sininho, e os pais de ketchup e maionese. Para Leonardo Souza, pai da jovem, o momento é de descontração em família.
“Já tem alguns anos que a gente frequenta a Praia de Iracema no período do pré-Carnaval. É um período bem aguardado por nós. A gente acha um local tranquilo, divertido, onde dá para vir em família. A gente percebe que tem outras famílias também, então é um ambiente bem agradável.”

Palco Aterrinho
No palco do Aterrinho, a programação começou com a DJ Bugzinha, que apresentou sambas e sucessos carnavalescos. Em seguida, foi a vez de Mona Mendes e do grupo Essas Mulheres. Mona e Patrícia Trajano, vocalistas da banda, comentaram sobre a apresentação.
“A gente quis trazer o samba raiz para cá, para o Aterrinho. Para a gente, está sendo mais uma realização do nosso trabalho, do nosso ‘filho’, que é o Essas Mulheres. A gente tem esse propósito de exaltar a mulher no samba, de mostrar que a mulher tem direito de estar em qualquer lugar, principalmente no samba”, afirmou Mona.
“Está sendo uma honra. Eu amo e tenho muito orgulho de morar em Fortaleza, de trazer o samba para cá. A gente já teve a oportunidade, no passado, de participar do aniversário da cidade, e agora está sendo muito satisfatório também estar abrindo esse novo ciclo dos 300 anos”, completou Patrícia.
Logo após, foi a vez do principal show da noite. Teresa Cristina apresentou o espetáculo da turnê “Jessé – As canções de Zeca Pagodinho”, que antecipa o lançamento de um álbum homônimo. O projeto homenageia o sambista carioca de Xerém e traz um repertório que mistura sucessos e canções menos conhecidas.
“Eu percebi que o Zeca sempre deixou de gravar as próprias composições para ajudar os amigos, porque ele sabe a diferença que faz para essas pessoas ter uma música interpretada por ele. Zeca está sempre lançando outros compositores, abrindo espaço. Foi então que pensei que alguém precisava mostrar para o mundo as lindas canções que ele já fez. Por isso, o novo show e o álbum se fazem tão importantes”, comentou Teresa.
