
Manhãs e tardes cheias de partilha, alegria, convívio muitas risadas. Essas são características da rotina de idosos que se reúnem duas vezes durante a semana para participar das atividades do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) dos 27 Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) em Fortaleza.
As atividades lúdicas e culturais permeiam a vida de mais de dois mil idosos em Fortaleza, sendo uma média de 80 por unidade do CRAS, ajudando na socialização e na prevenção ou recuperação de problemas de saúde mental. Dança, artesanato, música, rodas de conversa e passeios culturais são algumas das iniciativas realizadas.
A socialização é o principal atrativo para de Verônica das Dores Nogueira, de 60 anos. Ela faz parte de um grupo de cerca de 80 idosos do CRAS Jacarecanga. Inicialmente, ela veio a convite da prima, já integrante. Mesmo ainda relutante em conhecer o projeto, acabou ficando. “Já estou em uma idade na qual não preciso me preocupar com tanta coisa em casa, como quando mais jovem. Aí vim, gostei e fiquei, isso há quase dois anos. Toda semana eu venho e sinto falta quando não tem”, conta.

Dona Verônica conseguiu superar um início de depressão a partir das atividades sociais. A companhia dos colegas e o tratamento dado pelas pedagogas, para ela, são os diferenciais do projeto. “Além disso, gosto muito dos passeios. Todo canto que elas convidam, a gente quer ir logo. Já fomos ao teatro, ao clube, ao zoológico”, descreve.
No entanto, foi o conjunto dos benefícios que garantiram a permanência dela. “Eu me sinto mais valorizada como pessoa e hoje em dia, quando eu venho para cá, não penso mais as coisas que pensava quando tinha depressão. Vir para cá me dá vida, me dá alegria, e por isso eu venho sempre. Meu marido me incentiva muito, também”, finaliza dona Verônica.
As equipes que organizam as atividades fazem parte do Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF), presente nas 27 unidades na Capital. Conforme Leiliane Martinz, coordenadora do CRAS Jacarecanga, para participar, o idoso passa por um atendimento inicial, que realiza o cadastro e avalia de que forma o idoso pode se programar dentro das atividades do CRAS.
Leiliane conta que a maioria dos profissionais do CRAS é formada por jovens. Nesse sentido, há uma intensa troca de experiências entre as gerações, além dos benefícios da geração estar participando ativamente das atividades. “A gente recebe idosos com depressão e isolamento social. Esse tipo de atividade resgata o idoso para que ele possa ter qualidade de vida nessa fase. Temos muitos relatos sobre a mudança que participar desse grupo promoveu na vida deles”, destaca a coordenadora.
Engajamento
No CRAS do Bom Jardim, quem participa das atividades desde 2013 é o senhor Eridan de Sousa, de 72 anos. O engajamento foi tanto que ele virou membro do conselho do bairro, liderando reuniões e participando ativamente das ações. Morador do Bom Jardim há mais de 50 anos, para ele, o grupo funciona como um momento de terapia, onde ele descobriu a importância não apenas de se ajudar, mas também de poder melhorar a vida de outras pessoas.
“O equipamento não apenas nos recebe, há muitas atividades a serem feitas depois disso. E o centro de convivência nos dá essa condição para viver em grupo, não só aqui mas em outras esferas da sociedade. Isso aqui é tudo para mim e, terça e quinta, eu tenho que estar aqui interagindo com essas pessoas. É a minha alegria de viver”, conta.
Portanto, em meio a dificuldades pessoais, ele viu no CRAS do Bom Jardim uma oportunidade de acolher outras pessoas, da mesma maneira como foi acolhido. “Eu falo que ninguém é tão rico que não possa receber e nem tão pobre que não possa ajudar. Deve haver sempre essa troca entre as pessoas, independentemente de quem seja”.
O planejamento das atividades é feito conforme a vivência dos idosos, de acordo com a pedagoga Ana Cláudia Rodrigues. Ela explica que, além do tema pessoal, no qual eles se reconhecem como idosos e falam sobre si mesmos, eles também são inseridos em discussões sobre percepção do território e da comunidade.
"Isso potencializa a individualidade, mas também trabalha no sentido deles se sentirem cidadãos, dando-nos a oportunidade de reconhecer as demandas deles dentro da família e da sociedade”, ressalta.
Sobre os CRAS
Localizados em áreas de vulnerabilidade social, os CRAS atuam com famílias e indivíduos em seu contexto comunitário, visando fortalecer dos convívios sócio familiar e coletivo. Atualmente, Fortaleza conta com 27 CRAS distribuídos em seis Regionais. O equipamento faz parte da rede socioassistencial da Prefeitura de Fortaleza, por meio da Secretaria dos Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SDHDS).
Além disso, são feitos encaminhamentos à rede socioassistencial, atendimentos individuais, atendimento do Cadastro Único, visitas domiciliares e institucionais, dentre outros serviços. Confira a lista com a localização dos CRAS em Fortaleza.
